ECONOMIA
Especialista avalia que medidas adotadas por Donald Trump têm objetivos geopolíticos e econômicos mais amplos
O analista de relações internacionais Uriã Fancelli avalia que as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil durante o governo de Donald Trump vão além da disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, a política tarifária faz parte de uma estratégia de longo prazo voltada ao fortalecimento da influência norte-americana no continente.
Na análise apresentada, Fancelli afirma que o uso de tarifas como instrumento de pressão antecede a trajetória política de Trump e ganhou novos contornos em seu segundo mandato. De acordo com o especialista, a política comercial passou a ser utilizada como mecanismo para ampliar a influência dos Estados Unidos sobre países da América Latina, tendo como foco interesses estratégicos e econômicos da Casa Branca.
O analista também argumenta que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para as tarifas envolvem políticas de Estado brasileiras desenvolvidas ao longo de diferentes administrações. Entre os temas citados estão o sistema de pagamentos Pix, questões relacionadas à propriedade intelectual, decisões do Poder Judiciário e acordos comerciais firmados pelo Mercosul, medidas que, segundo ele, não se restringem ao governo atual.
Ao abordar os impactos econômicos da política tarifária, Fancelli destaca que as tarifas de importação costumam elevar os custos dos produtos no mercado norte-americano, uma vez que os valores pagos na alfândega tendem a ser repassados ao consumidor final. Na avaliação do especialista, embora Trump mantenha a defesa desse instrumento como política comercial, estudos econômicos apontam que parte significativa desse custo acaba sendo absorvida pelos próprios consumidores dos Estados Unidos.


